A propaganda eleitoral gratuita em rádio e TV foi estabelecida para os candidatos mostrarem suas idéia e propostas de forma clara e objetiva, servindo assim de canal direto com os eleitores. O princípio é valido, porque democratiza a divulgação das propostas dos candidatos, impedindo que o poder econômico daqueles mais abastados se imponha sobre aqueles com menos recurso para divulgar suas idéias.
No entanto, os candidatos usam o recurso da propaganda eleitoral gratuita para levar uma mensagem de conteúdo sofrível, cheia de chavões, repetindo frases ouvidas desde quando o Brasil vivia sob o regime militar. O programa eleitoral se torna risível quando candidatos a vereador surgem no vídeo parecendo terem saído de um filme de terror, fazendo promessas escabrosas e prometendo lutar por alguma coisa.
Lutar é a palavra mais usada na propaganda eleitoral pelos candidatos. Uns prometem lutar contra o desemprego, outros contra a corrupção, alguns vão lutar pela educação, pela segurança, pela saúde e tem aqueles que prometem lutar pelas causas sociais, pelas comunidades e tantas outras bandeiras que possam render uma boa luta. O telespectador assiste impassível ao desfile de promessas vãs e fica pensando se ri ou se chora, porque seu destino já está traçado e no dia 5 de outubro será obrigado a escolher um deles, mesmo sabendo que nenhum merece seu voto.
Como é sabido que paulada grande mata a cobra, o massacre ao telespectador é feito de forma alternada. Um dia os candidatos majoritários se apresentam e aqueles com poucos recursos repetem os erros visuais dos que buscam uma vaga na Câmara Municipal. Fazem as mesmas promessas e juram que vão lutar para melhorar a vida dos cidadãos. Os concorrentes à prefeitura, com recursos financeiros sem limites, usam e abusam da computação gráfica, das tomadas aéreas, dos programas com feitio de publicidade, que oferecem o produto-candidato como o melhor para a cidade.
Nesse momento, o telespectador tem mesmo é vontade de chorar, porque se lembra daquele mesmo rosto prometendo em eleições passadas fazer isso e aquilo e nada realizar depois de ter recebido o voto do incauto eleitor que acreditou em suas promessas. Assim, o telespectador se revira no sofá pensando seriamente em dar crédito ao candidato, mesmo sabendo que vai conviver ainda por muito tempo sem água potável em sua casa, sem transporte de qualidade, com educação precária para seus filhos e sem segurança para sua família.
Com o passar dos dias, o telespectador se habitua à situação e passa e tirar proveito da própria propaganda eleitoral gratuita que invade sua residência. Ele aprende que o que dá pra rir dá pra chorar. No dia da propaganda dos candidatos a prefeito ele chora, se lembrando das tantas vezes em que foi enganado. Quando é propaganda para os candidatos proporcionais ele se esbalda de tanto rir vendo figuras engraçadas fazendo promessas mentirosas e jurando que vão lutar por todos nós. O nosso consolo: desses tantos, apenas 37 serão eleitos e vão rir da nossa cara, mas aí não importa, é preço que pagamos pela democracia que vivemos.
Se em são Paulo as produções são Horríveis ...Imagine as de outros estados mais sem recursos.
Propaganda eleitoral gratuita de péssima qualidade não é produto tipicamente amazonense, como bem poderia pensar os arautos da leseira baré que tanto assola este Estado. Uma pesquisa na internet mostra a qualidade dos programas veiculados em outras cidades brasileiras e que merecem críticas tão severas quanto a que os moradores de Manaus são obrigados a assistir.
Um blog do Rio de Janeiro faz a seguinte observação: “É de chorar. Embora os candidatos majoritários estejam falando mais em segurança pública do que o habitual, durante todo o programa de hoje só vi um candidato a vereador mencionar a expressão "segurança cidadã" que é exatamente onde deveria estar situado o debate sobre a participação da prefeitura e da Câmara dos Vereadores na busca por uma cidade mais segura. O nível dos candidatos que mal sabem falar diante de uma câmera de TV, a repetição de chavões e a salada de coligações que une partidos que até bem pouco tempo eram inconciliáveis me transmitem a sensação de que mais uma vez vai ser muito difícil votar com satisfação”.
Outro blog, de São Paulo, faz a seguinte crítica: “Todo ano político é a mesma coisa: cada candidato é a competência e a honestidade em pessoa e seus adversários são a escória da humanidade! Se existem vários lados, todos santinhos e diabólicos ao mesmo tempo, em quem acreditar? Em quem votar? Aí acham que, para melhorar a situação, só a propaganda eleitoral gratuita. Ainda é gratuita!! Vai tentar, você, simples cidadão, pagador de impostos e cumpridor das leis, usar um minutinho que seja de um veículo desses de comunicação para algo realmente importante e verá quanto terá que pagar”.
PASSO O PONTO
Há 6 anos
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