terça-feira, 14 de outubro de 2008

A vida ....A morte...

Toda a morte anuncia um renascimento, todo o nascimento provém da morte de uma forma antiga; toda a mudança é nascimento-morte-renascimento. A mudança é a grande lei da vida; tudo o que existe altera-se incessantemente num movimento cíclico de nascimento, evolução e morte, que se repete até ao infinito. O ser humano, embora impelido para a dinâmica da vida que o anima e onde todo este processo se insere, resiste à mudança, porque teme a morte do que é conhecido e que lhe dá estabilidade, recusando-se a novo nascimento que o obriga a uma outra visão das coisas. Viver implica coragem, e só os lutadores se apercebem de como é fascinante vencer as mortes do quotidiano, para que novos nascimentos ou acontecimentos novos se operem. Esta consciência da vida e morte só é possível no contexto da individualidade humana. Só os seres com auto-consciência percebem o desenrolar da vida e dos seus movimentos cíclicos, que contêm em si a também morte. Muitos, contudo, ficam inseguros, porque todo esse processo que se insere na construção da individualidade, obriga à sua constante reformulação, provocando ansiedade a todo aquele que receia perder aquilo que o define num determinado momento, quando a exigência de mudança se impõe, trazendo consigo a morte da fase anterior, que obriga a uma nova visão de si próprio. Tudo é impermanência e isso pode assustar a quem se apega ao já adquirido, mas que requer transformação. Recusa-se assim a morte do conhecido e possuído, por medo do desconhecido que o novo nascimento das coisas e acontecimentos sugere, e ao recusar-se a morte, nega-se a vida onde aquela se manifesta. No entanto, só é possível a aceitação da vida e o encontro com ela, se paralelamente se aceita a morte, como um aspecto da manifestação da vida. E é quando enfim se chega a este ponto, que se começa a vencer a morte, porque se entra no dinamismo vital, ao reconhecer na morte um dos aspectos da vida. Dando à morte o seu lugar na vida, desaparece ela como imagem de aniquilação e fim do que existe, porque se percebe que verdadeiramente há tão só movimento e mudança de estados.É, contudo, em nome da vida que a negação da morte é feita, porque se considera que esta destrói aquela, mas no fundo quem não quer a morte, busca-a sem saber, porque se recusa a viver, ao rejeitar algumas das leis naturais que a vida comporta. Esta reflexão aplica-se igualmente à morte física de um corpo humano, que deverá ser vista como a transição do ser para um novo plano de existência, e não como uma aniquilação irreversível.Embora aceitando também esta morte que nos espera no fim da experiência terrena que vivemos, deveremos tudo fazer para que ela não surja antes do tempo que é necessário à nossa evolução que, como vimos, se processa segundo ciclos bem definidos.

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