sábado, 13 de setembro de 2008

Ta feia a coisa Pros lados de "Los Hermanos" colhedores de Coca

O presidente da Bolívia jurava de pés juntos que era o dono da cocada preta – ou melhor, o dono da coca pura. Acreditava que era muito forte num país tradicionalmente golpista. São dezenas os presidente eleitos que foram derrubados. Por ser instável, só maluco para investir um dólar naquele paraíso do pó. A Bolívia anunciou nesta quinta-feira que foram reiniciadas as operações de fornecimento de gás para o Brasil, na ordem de 90%. Mas a crise e a instabilidade continuam a provocar inquietações junto ao governo brasileiro. Afinal de contas, o movimento de contestação ao presidente Evo Morales tem sido o responsável pela intranqüilidade que domina Brasília.Quando o Brasil resolveu construir um gasoduto até as reservas petrolíferas da Bolívia, tudo por conta da Petrobrás, o então presidente Geisel que já presidira a nossa estatal, mostrou-se contra o projeto. Ele conhecia a Bolívia.Lamentavelmente, a Bolívia nunca foi um modelo acabado de democracia. O país já viveu tantos golpes militares que em seu caso se poderia dizer que lá forjou-se uma “democracia boliviana”, uma espécie de tira-bota-tira presidentes na marra. Ou seja, presidente eleitos nunca tiveram seus mandatos respeitados. Evo Morales corre esse mesmo risco.Mas voltando ao presidente Geisel. Ele era voto vencido no projeto do gasoduto da Petrobrás, mesmo tendo lembrado a temeridade de se investir alguns milhões de dólares naquele projeto e colocar parte da economia nacional (como acontece hoje) dependente da energia que seria gerada a partir do gás boliviano.Para Geisel, a Bolívia não era totalmente confiável para um empreendimento daquela natureza e que setores industriais brasileiros se tornariam reféns a qualquer momento de alguma instabilidade política no vizinho país. No ano passado, em maio, Evo Morales nacionalizou os investimentos da Petrobrás. Hoje, a crise nos departamentos rebeldes ameaça o fornecimento de gás ao Brasil, mesmo com as garantias de Evo Morales que não haverá corte.A crise de 2007 e a rebelião de hoje nos leva a lembrar a dúvida do presidente Geisel, numa frase que foi mais ou menos assim: “E se por qualquer motivo os bolivianos fecharem a válvula do gás, lá do lado deles eu faço o quê? Mando nossos tanques abrirem?”