domingo, 15 de fevereiro de 2009

Ou Essa mulher é louca ou os suíços são mentirosos.Em quem acreditar? Eu creio nela....E voces?

A agressão a advogada brasileira Paula Oliveira por três militantes neo-nazistas exige uma eficácia que o governo brasileiro não conseguiu exibir em casos semelhantes do passado. Quando Jean Charles foi executado num metrô de Londres, a polícia inglêsa fez um inquérito dirigido, apresentou suas conclusões — absurdamente falsas — e só então o país começou a se mexer. Era tarde demais — com se viu. A má vontade inicial das autoridades suiças, que chegaram a colocar em questão a denúncia de Paula Oliveira, é uma pequena amostra do que pode acontecer pela frente. A possibilidade de se montar um inquérito fabricado, inconclusivo, sem resultados concretos, não pode ser desprezada. A melhor forma de elevar o prestígio internacional do Brasil, objetivo permanente da diplomacia de qualquer país, não é fazer bonito em encontros internacionais nem brilhar em seminários econômicos, mas exigir um respeito absoluto pelos direitos de seus cidadãos. Eles não podem ser agredidos em nenhum de seus direitos sem que isso tenha consequencias. É essa postura que separa um país com direito a voz e voto na cena internacional — e aquele que de vez em quando grita, de vez em quando vota, e quase nunca é levado a sério.
Por que duvidar de Paula Oliveira, a advogada que denunciou ter sido torturada por tres neo-nazistas na Suiça? Não há motivo, garantem vários colegas da Faculdade de Direito, no Recife, que escrevem ao blogue, para solidarizar-se com ela, como se pode ler em notas anteriores. O problema é que há uma investigação em curso e, até agora nada do que Paula Oliveira alegou em seu depoimento pode se demonstrado. O pai não consegue encontrar os exames que poderiam dar esclarecimentos sobre a gravidez. Uma saída seria ouvir a médica que atendeu a filha, vítima de uma gravidez de risco. Impossível. Descobre-se agora que nem seu nome pode ser fornecido à polícia porque é uma imigrante de origem portuguesa, vive em situação irregular no país — e poderia prejudicar-se. O noivo de Paula, que prestou depoimento a polícia, só fala alemão. O pai, que só fala inglês, conversou com ele. Os dois se encontraram antes que o noivo deixasse a casa onde reside, para mudar-se para a companhia de parentes. A conversa poderia ter sido mais produtiva se ambos tivessem o auxílio de um intérprete. Mas, embora estivessem nas cercanias de Zurique, não se usou os serviços de um profissional com essa especialização, que poderia ter ajudado a familia a esclarecer diversos detalhes sobre a vida de Paula nos últimos dias. Num diálogo precário, o pai da advogada soube que ela andava com receio de ser agredida por militantes neo-nazistas. A Suiça registrou um aumento de 30% nos ataques de natureza racista entre 2006 e 2007. Um partido que eecebeu 29% dos votos nas últimas eleições faz campanhas discriminatórias contra estrangeiros, sugerindo, em cartazes, que devem ser expulsos acoices. Não se trata, portanto, de uma terra especialmente simpática em relação a estrangeiros. Mas a história é mais complicada. Como se sabe desde que a polícia disse que Paula não estava grávida no dia em que disse ter sofrido o ataque, alguém está mentindo.

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