segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Veja o o que a crise esta fazendo com o Brasil....

Aumento no preço dos importados e freada nas vendas de produtos brasileiros para o exterior. Esses são alguns dos efeitos da valorização do dólar frente ao real, provocada pela quebra do banco norte-americano Lehman Brothers. É grande a apreensão sobre o futuro do setor financeiro dos Estados Unidos, entre os especialistas e representantes de classes. Mas o primeiro a sentir reflexos em alguns setores da economia foi o consumidor. Os perfumes e cremes importados custam hoje até o dobro do que custavam há pouco mais de um mês e as importadoras já avisam aos varejistas sobre novos reajustes.“As tabelas dobraram”, Perfumes de 30 ml (mililitros) estão praticamente no mesmo valor que custavam os de 100 ml há um mês. “O perfume Dolce & Gabbana, por exemplo, está sendo vendido por R$ 189 (30 ml) e por R$ R$ 339 (100 ml). Há um mês, o frasco de 100 ml custava R$ 199, aumento de 70%.Com o aumento nos preços, as vendas também devem sofrer mudanças. “Na verdade, os preços estão voltando ao mesmo patamar que estavam há alguns anos, quando os perfumes importados eram itens de consumo apenas das classes mais altas. A clientela de menor poder aquisitivo deve desaparecer se continuar nesse ritmo”, Na INFORMÁTICA,além da perfumaria, equipamentos de informática já custam 8% a mais do que na semana passada. As encomendas estão sendo feitas no mesmo dia das compras para que as empresas não percam com a cotação do dólar. Os produtos ficaram entre 6% e 8% mais caros no período de uma semana. Nas vendas efetuadas na semana passada, cujos pedidos deixei para fazer nessa semana, arcamos com a diferença, pois o cliente já fez o contrato, completa.Os principais produtos com reajuste são computadores, notebookes, mininotebooks, roteadores wirelles e terminais para residências e empresas. Além das máquinas, setores agregados, como a prestação de serviços, também tiveram reajuste nos preços. HIPOTECAS- A crise que afeta o mercado financeiro dos Estados Unidos, e se arrasta aos negócios do mundo todo, tem origem na saúde do sistema bancário norte-americano. O problema começou com as hipotecas.Entre 2001 e meados de 2004, os norte-americanos aproveitaram os juros baixos nos EUA e as boas condições de financiamento para comprar imóveis, e acabaram se endividando. Os juros subiram, a economia esfriou e a inadimplência aumentou. Os bancos que emprestaram dinheiro começam a mostrar o rombo. Além disso, o preço dos imóveis caiu. Pagando uma prestação alta por um bem de valor menor, os norte-americanos reduziram o consumo. Isso deve influenciar de forma negativa as economias no mundo todo. No Brasil, os reflexos da crise na economia dos Estados Unidos podem ser percebidos nas cotações. Na última quarta-feira (17), a moeda norte-americana fechou na maior cotação em quase um ano, com alta de 2,64%. O dólar chegou a R$ 1,868, maior valor desde 21 de setembro de 2007, quando fechou em R$ 1,869.Preço de alimentos pode ter quedaA queda nos preços dos alimentos e nos derivados do petróleo são algumas das conseqüências positivas da crise para o Brasil. De acordo com o diretor do Ciesp/Fiesp (Centro/ Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), César Tonheiro, a crise que tem como principais conseqüências o aumento do dólar e a queda no preço das ações não tem apenas aspectos negativos. “O especulador que ganha muito sem trabalhar está no sufoco.”Outra previsão é a queda no preço dos alimentos, reflexo da queda do petróleo. “O custo com transportes é um dos principais responsáveis pelo preço final dos alimentos.”, afirma. NACIONAL - Um estímulo à produção interna também deve acontecer por conta do encarecimento de produtos estrangeiros. “A política nacional desestimulou a produção interna. Agora é preciso retomar essa produção para atender a demanda.” O grande problema, segundo Tonheiro, é que vários setores estão despreparados para atender esse mercado, por isso, pode haver queda no crescimento do País. É hora de manter investimentos na Bolsa. Ao contrário da atitude da maioria dos pequenos investidores do mercado de ações, o momento não é o de vender títulos. Para quem apostou na Bolsa de Valores, a ordem é esperar a crise passar e não mexer nos investimentos de longo prazo. Para aqueles que desejam investir, o momento é oportuno para a compra de ações por preços bem abaixo do real. É o que afirma o agente autônomo de investimentos, Luís Tedesco. “O momento é de cautela total, mas aqueles que investiram para longo prazo devem manter seus investimentos como estão. Quem sacar agora vai ter perdas.”As seguidas quedas na Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo), que se intensificaram na última segunda-feira (15) com o anúncio da concordata do banco norte-americano Lehman Brothers, está assustando os pequenos investidores (pessoas físicas), que nos últimos dois anos entraram em massa no mercado. Porém, Tedesco afirma que é comum em momentos de crise a bolsa nacional sofrer mais. “Isso acontece porque somos uma bolsa de alta liquidez e temos a carteira de fundos estrangeiros de maior peso.”, explica.Para quem tem interesse, o momento pode ser propício para entrar no mercado. "Hoje a bolsa está muito mais atraente do que estava há seis meses. Para quem tem horizonte de longo prazo, é a hora de entrar. A chance de ter uma valorização é grande num período longo, o que é uma janela de oportunidade", diz. Segundo Tedesco, o custo médio dos ativos está mais barato, o que faz com que qualquer recuperação seja realizada como lucro rapidamente.A recomendação de Tedesco é para aplicar entre 30% e 40% do capital que se pretende investir, principalmente nos chamados “portos seguros”. “O que se avalia é que agora é um bom momento para compra de ações nos ramos de petróleo (ações da Petrobras), siderurgia (Vale, Usiminas e Gerdau) e no setor bancário (Bradesco e Itaú).” O longo prazo, segundo o agente, é a melhor opção de investimento, tanto para o grande quanto para o pequeno investidor. “Quanto mais curto o prazo de investimentos, maior o risco de perder dinheiro. No atual cenário, não se pode pensar em investir num prazo menor que seis meses.” Novos empreendimentos devem continuar. Com a predominância da agroindústria e da bioenergia na economia regional, os investimentos não devem ser suspensos na região de Araçatuba. “A agroindústria é uma realidade no mundo. Pode ter momentos de tensão, mas ela não será afetada, pois nossa produção está bem desenvolvida”, afirma o diretor da Ciesp/Fiesp, César Tonheiro. O crescimento da bioenergia, outro setor predominante, também é irreversível. “O mundo busca energias alternativas e temos um dos maiores programas de energia limpa e renovável bem desenvolvido aqui na região.”A construção civil também não deve ser atingida. “Somos auto-suficientes na produção interna e mesmo que os preços do ferro, aço e cimento se elevem no exterior, não haverá interferência”, garante Tonheiro.O secretário de Desenvolvimento Econômico, Carlos Antônio Farias de Souza, afirma que o Brasil pode se beneficiar com a crise. “O Brasil é uma alternativa na questão de segurança nos investimentos. A crise está afetando diretamente países do primeiro mundo, com isso, os investimentos são canalizados para países como o Brasil, que tem maior segurançaAs empresas já fizeram planejamento de médio e longo prazo, prevendo vários cenários econômicos. Produto nacional ficará mais competitivo. Uma das maiores dificuldades dos exportadores hoje é o câmbio. Com a queda no preço do dólar, os produtos brasileiros ficarão mais competitivos. Por outro lado, como a crise é mundial, pode não haver compradores para os produtos exportados. “Se entrar em recessão, o mundo vai comprar menos. Aí teremos produtos, bom câmbio, mas não teremos compradores”, diz o diretor do Ciesp/Fiesp, César Tonheiro. A queda no consumo é a conseqüência da crise do mercado imobiliário sobre a economia real. Endividadas, as pessoas deixam de comprar e investir. Outro problema que os exportadores irão enfrentar é a credibilidade. “A desconfiança não se resolve do dia para noite. O grande problema será convencer o mundo que temos produtos bons e com preços competitivos novamente”, prevê Tonheiro. CALÇADOS O empresário do setor calçadista, José Roberto Colli, concorda com Tonheiro. “O dólar mais alto dá mais competitividade para nossos calçados, porém podemos ter restrições de mercado”, diz. O lado positivo é a queda nas importações. “Se o dólar ultrapassar a casa dos R$ 2 vai inibir o consumo interno de produtos importados e seremos mais competitivos no País.”A crise também não deve afetar a indústria calçadista de Birigüi que já reduziu drasticamente as exportações e se adaptou a realidade do dólar baixo. “O consumo interno ajudou e temos a confiança que vamos conseguir driblar essa crise”, afirma Colli. "O conformismo é o carcereiro da liberdade e o inimigo do crescimento" John Kennedy

Nenhum comentário: